segunda-feira, 7 de setembro, 2026

Cidade do Autista volta a ser usada como moeda de campanha eleitoral

por Márcio Azevedo
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Quase R$ 1,5 milhão já foi pago pela prefeitura de Manaus por um único mês de trabalho na Cidade do Autista, obra que deveria atender famílias de crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista na capital amazonense. O valor corresponde a apenas 8% do total previsto, segundo nota de empenho obtida pela reportagem, percentual bem distante do que consta no mapa de obras da prefeitura e do que o ex-prefeito e atual candidato ao governo do Amazonas, David Almeida, tem anunciado em suas redes sociais.

A Cidade do Autista foi uma das principais promessas de campanha de David Almeida em 2024, quando disputou e venceu a reeleição à prefeitura de Manaus. À época, o então prefeito prometeu uma estrutura ampla e completa para o atendimento de crianças atípicas. Passados quase dois anos, porém, a obra segue no papel: um novo aditivo contratual acaba de ser assinado, adiando a entrega prevista para 2027.

Aditivo de prazo publicado no final de agosto prorrogando a obra até dezembro de 2027.

Mesmo diante desse cenário, David Almeida afirmou recentemente, em vídeo publicado em suas redes, que a obra será entregue ainda em 2026, possivelmente até o Natal. A promessa contradiz os próprios dados da prefeitura e reacende o uso da Cidade do Autista como bandeira eleitoral, agora na disputa ao governo estadual.

Pelo contrato original, o custo total da obra está orçado em R$ 17 milhões, valor que, segundo especialistas ouvidos ao longo da apuração, tende a aumentar diante dos sucessivos aditivos e atrasos. A responsável pela execução é a construtora Red, a mesma empresa contratada para as obras do mirante do Parque Encontro das Águas, também na capital amazonense.

Painel de obras públicas da prefeitura mostra a evolução da Cidade do Autista

A fiscalização da obra, no entanto, tem sido praticamente inexistente. Um vereador chegou a visitar o local com um drone e levar o caso à imprensa, mas o episódio não teve continuidade. O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) chegou a anunciar, em setembro de 2025, a abertura de um procedimento administrativo para acompanhar a execução da obra, mas não há indícios de que esse acompanhamento tenha avançado desde então.

Enquanto o cronograma segue atrasado e a fiscalização ausente, famílias de crianças e adolescentes atípicos continuam à espera de um serviço essencial para o desenvolvimento e o atendimento adequado de seus filhos.

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