Em dois anos, a Federação Amazonense de Tênis (FAT) recebeu do Governo do Amazonas R$ 7 milhões em patrocínio. Só este ano foram R$ 6 milhões, liberados dois meses antes das eleições, sob a justificativa de realizar dez eventos da modalidade em 2026.

Federações com mais atletas e maior número de competições, como a de Futebol (FAF) e duas de Jiu-Jitsu (FJJAM e FAJJPRO), não receberam nada este ano. No ano passado, essas federações haviam recebido R$ 8 milhões e R$ 400 mil, respectivamente, e, a FAT, mais outro milhão.

Mas por qual motivo uma federação esportiva tão pequena conseguiu um patrocínio quase igual ao da Federação Amazonense de Futebol? Essa é uma pergunta incômoda que me levou a descobrir que, entre 2025 e 2026, a Federação Amazonense de Tênis recebeu R$ 7 milhões do governo do Estado, enquanto o futebol conseguiu R$ 8 milhões.
Tênis foi a única federação premiada em 2026
No ano passado, quatro federações ganharam patrocínio do governo do Estado: a de futebol, com R$ 8 milhões; a de tênis, com R$ 1 milhão; e duas de jiu-jitsu, com R$ 400 mil. Já este ano, apenas a Federação Amazonense de Tênis conseguiu a ajuda do governo, e o valor saltou para R$ 6 milhões.
Mas para que tanto dinheiro investido em um esporte considerado de elite e com tão poucos adeptos no Estado? Em 2025, a Federação de Tênis realizou cinco eventos, como consta no site onde ela cadastra suas atividades esportivas.
O site também mostra a quantidade de inscritos: uma média de 184 atletas por competição. Se levarmos em conta que a federação recebeu R$ 1 milhão de patrocínio em 2025, cada evento teria custado cerca de R$ 200 mil.
Já este ano, com R$ 6 milhões, foram realizadas até o momento cinco competições, com uma sexta já programada para setembro. Mas desses cinco eventos, a média de atletas inscritos caiu para apenas 137.
Pelo calendário apresentado no documento que justificou a liberação dos R$ 5 milhões de patrocínio, a Federação Amazonense de Tênis prevê dez eventos este ano — o que elevaria o custo de cada evento para cerca de R$ 300 mil.
Termo de referência tem erros e inconsistências
No termo de referência do patrocínio, a federação estimou gastar cerca de R$ 3,1 milhões nos dez eventos esportivos previstos.
O restante dos R$ 5 milhões, somado ao primeiro milhão liberado ainda este ano, seria destinado a capacitação, viagens e disputas de eventos fora do Estado, entre outros usos.


Mas há um detalhe nesse documento que chama atenção: apesar de o contrato de R$ 5 milhões ter vigência de 12 meses, como consta no extrato publicado no Diário Oficial, o termo de referência prevê o recebimento integral do valor em agosto — pagamento que, inclusive, já foi feito pelo Governo do Estado.

Por que um pagamento único em agosto?
Por que um único pagamento, justamente em agosto, se o projeto tem previsão de 12 meses? Perguntas que caberiam aos deputados estaduais e aos órgãos de fiscalização, como TCE e MPE buscarem as respostas. O que sei é que o tênis é um esporte de elite, mas destinar R$ 6 milhões a eventos que não movimentam a economia local — em comparação com jiu-jitsu ou futebol — é, no mínimo, um número estranho.
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[…] publicado pelo jornalista Márcio Azevedo, com base em documentos relacionados aos patrocínios, aponta que a entidade recebeu inicialmente […]
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