Você viu a confusão entre o Omar Aziz e o jornalista Neuton Corrêa esta semana num grupo de WhatsApp? Não? Então senta, porque a história não é sobre amigos que agora estão brigados. Sim, Omar e Nelton já estiveram juntos quando ele era governador, mas isso é uma outra história.

Existe um grupo fechado de WhatsApp que reúne jornalistas e algumas figuras muito influentes na política amazonense, chamado “Mijada de Potó”. Aliás, você sabe o que é o potó? Potó, aqui pra gente do Amazonas, é aquele percevejo que tem uma mijada muito fedida. Mas o potó de verdade é o besouro que, se te der uma mijada, fica ardido e deixa uma marca feia.


Foi exatamente isso que aconteceu lá no grupo entre o senador Omar e o Nelton Corrêa, que levou uma mijada do “potozão” que não gostou de um editorial sobre a Operação Maus Caminhos. E essa confusão não tem nada a ver com liberdade de expressão, mas com uma ferida antiga na imprensa amazonense: a relação promíscua com o poder político e o dinheiro público.

Jornalismo sem imparcialidade
Quando Omar apontou o valor recebido por Nelton, ele colocou o dedo num problema crônico: os altos valores que alguns jornalistas ou veículos de comunicação recebem para falar bem — ou mal — dos inimigos.

Ontem mesmo, eu encontrei um valor no Diário Oficial que vai ser pago a uma empresa de comunicação por três dias de trabalho num festival regional aqui do nosso estado. E quando o Omar fala que vai cortar a “mamata”, é porque isso faz parte do seu plano de governo. O texto oficial no documento diz: “Os gastos correntes encontram-se em patamar elevado, inclusive com concentração significativa de recursos em áreas não emergenciais, como contratos de comunicação”.
Para se ter uma ideia, o Amazonas registrou o maior gasto per capita em cultura e liderou, em valores absolutos, as despesas com comunicação no país, segundo o levantamento no plano de governo de Omar. Então, meus amigos, essa mijada do potó não assustou apenas o Neuton, mas boa parte da imprensa que joga para o lado de quem paga mais.
Mas eu me pergunto, e também te pergunto: será que Omar vai mesmo fazer isso se chegar ao governo? Porque prometer cortar privilégios durante a campanha é fácil. Difícil é fazer isso depois que senta na cadeira de governador e sabe que precisa do apoio da imprensa para manter a imagem do governo com a população.
Fazer jornalismo independente no Amazonas é praticamente impossível. Ninguém quer bancar. E o jeito? Ou é ir para o lado do governador ou do prefeito. E quando você escolhe um lado, o outro vira inimigo, e a notícia que você recebe fica contaminada. Essa é que é a verdade, mas que ninguém tem coragem de falar.