Adail Pinheiro novamente foi alvo de uma operação da Polícia Federal. Mas, dessa vez, entre os principais alvos está também o filho dele, o deputado federal Adail Filho.
Pai e filho foram alcançados pela Operação Dinastia do Lago, que investiga suspeitas de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo contratos da Prefeitura de Coari.
E tem um detalhe importante: tudo isso acontece a menos de três semanas das eleições. Então eu pergunto: essa operação pode afetar, de alguma maneira, o jogo político no Amazonas?
O que a Polícia Federal investiga em Coari?
A operação realizada pela Polícia Federal no dia 16 de setembro atingiu o prefeito de Coari, Adail Pinheiro, o deputado federal Adail Filho e outros investigados.
A investigação começou depois que três empresários foram encontrados no Aeroporto de Brasília, em maio de 2025, transportando cerca de R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo.
A partir daí, a investigação avançou sobre uma possível articulação envolvendo empresários e integrantes da administração municipal de Coari.
Segundo a investigação, há suspeitas de favorecimento de empresas em contratações públicas, desvio de recursos, corrupção e lavagem de dinheiro.
Com autorização do Supremo Tribunal Federal, foram cumpridos 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari. Adail Pinheiro foi afastado da Prefeitura e endereços relacionados aos investigados foram alvo das buscas.


O balanço divulgado após a operação apontou a apreensão de R$ 990,5 mil em espécie, US$ 10 mil, € 1.255, 21 veículos, além de joias, relógios e outros objetos de valor.
A defesa de Adail Pinheiro e Adail Filho nega envolvimento com os fatos investigados e ressalta que as buscas não representam reconhecimento de culpa.
E onde entram Omar, Plínio e Silas?
Aqui é preciso separar as coisas. Existe outra frente relacionada às chamadas Emendas Pix destinadas a Coari.
O Tribunal de Contas da União identificou problemas na execução de transferências especiais e o ministro Flávio Dino, do STF, determinou o envio de informações para apuração de possíveis crimes.
Entre as emendas destinadas a Coari examinadas nesse contexto estão recursos indicados pelos senadores Omar Aziz e Plínio Valério e pelo deputado federal Silas Câmara.
Omar aparece como autor de duas emendas para Coari, de aproximadamente R$ 10 milhões e R$ 9 milhões. Plínio Valério destinou cerca de R$ 6,7 milhões. E Silas Câmara aparece com uma emenda de R$ 3 milhões destinada ao município. Somadas, são aproximadamente R$ 28,7 milhões.
Mas atenção: ser autor da emenda não significa que Omar, Plínio ou Silas tenham cometido irregularidades ou que sejam acusados de desviar esses recursos. O que está sob apuração é a execução do dinheiro depois que ele chegou ao destino.
Os R$ 3 milhões para a campanha de Omar
E é aqui que aparece uma coincidência temporal que chama atenção. O Republicanos destinou R$ 3 milhões à campanha de Omar Aziz ao Governo do Amazonas. O repasse já constava na prestação de contas eleitoral antes da operação da Polícia Federal.
Silas Câmara, que preside o Republicanos no Amazonas, apoia Omar e também é autor de uma das emendas destinadas a Coari cuja execução entrou no radar dos órgãos de controle.
Isso significa que os R$ 3 milhões destinados à campanha têm alguma relação com a operação? Até agora, não há elemento apresentado que permita fazer essa ligação. São fatos distintos.
Uma coisa é o financiamento eleitoral oficialmente declarado pelo Republicanos à campanha de Omar. Outra coisa é a Operação Dinastia do Lago. E outra é a apuração decorrente dos problemas encontrados pelo TCU na execução de Emendas Pix destinadas a Coari.
Misturar as três coisas seria errado. Mas politicamente elas acabam se encontrando no mesmo momento.
A operação pode mudar o jogo eleitoral?
Faltam menos de três semanas para as eleições. Adail Filho é candidato à reeleição para deputado federal. Silas Câmara também disputa a reeleição. Omar Aziz concorre ao Governo do Amazonas e Plínio Valério busca permanecer no Senado.
Agora existe uma operação da Polícia Federal atingindo diretamente Adail Filho e Adail Pinheiro e, paralelamente, uma apuração sobre a execução de milhões de reais em emendas destinadas a Coari por outros parlamentares amazonenses.
Qual será o peso disso para o eleitor? Vai provocar algum desgaste eleitoral? Vai alterar alianças? Ou não terá efeito significativo nas urnas?
Isso não dá para afirmar agora. A resposta quem vai dar é o eleitor. E nós só vamos conhecer no próximo dia 4 de outubro.